Os termos de uso do Rappi no Brasil dizem com todas as letras que a empresa pode cobrar do cliente uma taxa de serviço pela intermediação feita na plataforma. Dizem também que o cliente aceita essa cobrança ao concluir o pedido. O que os termos não dizem é quanto. O valor aparece na tela, na hora, e muda.
É um jeito diferente de lidar com o mesmo problema. Onde o iFood foi cobrado por não explicar, o Rappi escreveu a regra, mas deixou o número de fora.
O que dá para saber sem abrir o app
- Taxa de serviço: está nos termos, mas sem número.
- Taxa de entrega: os termos não explicam o cálculo.
- Pagamento: os termos citam dinheiro na entrega e cartão cadastrado.
- Categorias: a página inicial lista supermercado, farmácia, bebidas, compras, um serviço de entrega rápida de mercado e viagem.
- Cobertura: o site fala em nove países, sem lista de cidades no Brasil.
Pet não aparece entre as categorias. Pix e vale-refeição não aparecem nos termos. Pode ser que existam no app; fora dele, não achamos.
O Rappi Pro
A assinatura é onde o Rappi aposta. Em março de 2024 a empresa lançou duas versões, nos nove países em que opera. O Pro promete entrega grátis ilimitada em todas as categorias, desconto na taxa de serviço e descontos variados. O Pro Black soma prioridade na entrega, atendimento a qualquer hora e uma garantia de economia: se no fim do ano a assinatura não tiver se pago, a diferença volta em crédito.
Dos cinco apps que comparamos, é o único com dois níveis de assinatura e o único que promete entrega grátis em tudo, não só em algumas categorias. Também é o único em que o clube mexe na taxa de serviço, e não só na entrega.
O preço do Pro não aparece numa página aberta. O que a imprensa publicou, entre 2024 e 2025, está na tabela de clubes da página inicial. O preço do Pro Black e o do plano anual ficaram sem resposta.
Para quem o Rappi faz conta
O Pro foi desenhado para quem pede muito e de tudo. Entrega grátis ilimitada tem valor quando o número de pedidos é alto. Para quem pede duas vezes por mês, a assinatura dificilmente se paga, e aí sobra a taxa de serviço sem número publicado.
O limite real do Rappi é a cobertura. A empresa não publica quantas cidades atende no Brasil, e a presença é mais forte em capitais. Antes de pensar em assinatura, vale abrir o app com o próprio endereço e ver quantos restaurantes aparecem.
Como conferir no recibo
Como o valor só aparece na tela, a comparação com o Rappi precisa ser feita com o carrinho montado. Escolha um restaurante que exista também em outro app, ponha o mesmo prato nos dois e avance até a tela de pagamento, sem confirmar. Anote três números: subtotal, entrega e serviço. Se você assina o Pro, a entrega deve aparecer zerada e a taxa de serviço, menor. Se a entrega não zerar, vale procurar o motivo no atendimento antes de pagar.
Os termos dizem ainda que o Rappi só emite nota fiscal da taxa de serviço. A nota do prato é do restaurante. Para quem precisa de nota, por trabalho ou reembolso, isso muda o que pedir a quem.
O que ficou em aberto
Não achamos o documento oficial com os termos do Rappi Pro no Brasil, embora os termos gerais façam referência a ele. Não sabemos o valor da taxa de serviço nem como a taxa de entrega é calculada. Não sabemos se há pedido mínimo definido pelo app. Esses pontos entram aqui quando aparecerem em página aberta.