Nenhum app de delivery foi tão discutido em 2025 e 2026 pela taxa de serviço quanto o iFood. A cobrança passou a aparecer em todos os pedidos, mudou de valor ao longo do ano, foi autuada pelo Procon de Goiás e entrou num processo da Secretaria Nacional do Consumidor. Ao mesmo tempo, o iFood segue sendo o app com mais cidades e mais categorias do Brasil. As duas coisas andam juntas, e esta ficha trata das duas.
A taxa de serviço
O iFood cobra uma taxa de serviço por pedido. Em 2025 ela passou a aparecer em todos os recibos, com um valor fixo, e meses depois começou a variar, maior em alguns horários. O Procon de Goiás autuou a empresa e descreveu a cobrança como obrigatória e sem finalidade clara. O valor exato da autuação está na tabela da página inicial.
O ponto que pesa não é o tamanho da taxa, que é pequena perto de um prato. É a falta de critério aberto. O iFood não publica uma página que diga quando a taxa sobe, quando desce e por quê. Quem quer saber precisa montar o carrinho e olhar o recibo.
Em maio de 2026 a Senacon abriu processo contra o iFood por não apresentar o quadro que mostra quanto do total vai para a plataforma, quanto para o entregador e quanto para o restaurante. A secretaria apontou indícios de que os nomes taxa de entrega e taxa de serviço podem confundir o cliente sobre o destino do dinheiro. O iFood respondeu que está implementando as mudanças.
A taxa de entrega e o pedido mínimo
A taxa de entrega muda com a loja e a distância. O iFood não publica tabela. O pedido mínimo é definido pelo restaurante, e não pelo app. Em março de 2026 o Tribunal de Justiça de Goiás decidiu que esse mínimo não é venda casada e encerrou uma ação que pedia o fim dele.
Na prática, isso quer dizer que dois restaurantes vizinhos no mesmo app podem ter mínimo e entrega bem diferentes. Vale olhar as duas linhas antes de escolher onde pedir, não só o preço do prato.
O Clube iFood
O clube é a resposta do iFood para quem pede com frequência. Pelo que a imprensa descreveu em fevereiro de 2026, ele dá cinco cupons de desconto por mês em restaurante, com teto por cupom, e entrega grátis em farmácia e mercado acima de um valor mínimo de pedido. Há ainda parcerias com outras marcas.
Repare onde está a entrega grátis: em mercado e farmácia, não em restaurante. Para o jantar, o clube dá cupom. Quem pede comida pronta toda noite e nunca faz mercado pelo app vai usar só metade do que paga.
Não conseguimos ler a página oficial do clube. Ela pediu verificação de robô e não tentamos contornar. O preço citado pela imprensa está na tabela de clubes da página inicial, com a data.
O que mais o iFood entrega
A página institucional lista mercado, farmácia, pet shop, bebidas, açougue, perfumaria, papelaria, presentes e flores, além dos restaurantes. É a lista mais longa dos cinco apps.
Sobre cobertura, a mesma página diz mais de 1.500 cidades num trecho e mais de 2.000 em outro. Os dois números estão lá ao mesmo tempo. Seja qual for o atual, nenhum dos outros quatro chega perto.
Com quem ele combina
O iFood rende mais para quem concentra tudo num app só: o jantar, o mercado da semana, o remédio de última hora. Para esse perfil, o clube tende a se pagar. Para quem pede um prato de vez em quando, a taxa de serviço vira a linha que mais incomoda, porque pesa mais em pedido pequeno.
E para quem mora numa cidade menor, a pergunta muitas vezes nem é qual app. É qual entrega ali. Em muitas cidades, a resposta é o iFood.